domingo, 3 de junho de 2012

Você tem Experiência?


Um Bom Empreendedor Compartilha Seus Textos (Paródia):

Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: “Você tem experiência?”

A redação abaixo é uma paródia do texto original do candidato que foi aprovado pela empresa.

Já fiz cosquinha em meus irmãos só para eles pararem de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e já até brinquei de ser mágico. Já quis ser surfista profissional, jogador de futebol, agente da polícia federal e instrumentista, mas acabei virando professor. Já me arrebentei todo andando de skate. Já toquei campainha e saí correndo. Já passei trote por telefone. Já quis ser super-herói. Já saí remando com a prancha para ver se alcançava o horizonte e quase não tive braços para retornar. Já fiz xixi na cama depois de grande. Já brinquei de esconde-esconde. Já briguei na escola e tomei suspensão. Já briguei na rua e me escondi na casa de um amigo para não ser linchado. Já tomei banho de chuva e acabei me resfriando, já roubei beijo. Já roubaram meu coração por engano. Já confundi sentimentos. Já se interessaram por mim e eu não correspondi, e já me interessei por alguém e não fui correspondido. Já escrevi e desenhei nas carteiras da escola. Já me cortei fazendo a barba apressado. Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já discuti para defender as pessoas que amo. Já me quebrei todo caindo de bicicleta. Já peguei ônibus errado e fui parar a léguas de casa. Já namorei escondido e fui surpreendido. Já saí com a blusa e meias pelo avesso. Já chorei assistindo a filmes na TV. Já cantei no chuveiro sem ter que me preocupar com a afinação. Já tirei sarro de mim mesmo diversas vezes. Já assustei quem estava distraído. Já subi em árvore de vizinho para roubar fruta. Já caí da laje e só ralei as costas. Já fiz juras eternas, já escrevi mil cartas. Vivo falando bobagens e fazendo palhaçadas para alegrar as pessoas ao meu redor. Já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa para sempre, e voltei no outro instante. Já corri para não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já fiz arte de garoto traquino e guardo lembranças pelo corpo. Já dormi no ônibus e passei do ponto. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei o meu lugar. Já errei várias vezes. Já pedi perdão e já fui perdoado. Já fiz castelinho de areia na praia com a minha filha. Já tirei mil fotos ao lado da minha Princesa, já a ajudei na lição de casa. Já me deitei na areia da praia para apreciar o luar. Já compus várias canções e diversos poemas. Já fui atropelado por um carro e sobrevivi para contar história. Já surfei num mar gigantesco e me perguntei o que eu estava fazendo ali. Já subi em vários telhados para lavar caixas d’água. Já fui ajudante geral, balconista, professor de violão, agente aeroportuário, security, vendedor de cachorro quente, corretor de seguros, eletricista e representante comercial. Já viajei para belos lugares.
Já trabalhei em escolas estaduais, particulares, técnicas e faculdade. Já pedi demissão e já fui demitido. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci para ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já toquei violão para encantar e acabei sendo encantado. Já li algumas historinhas para a minha filha antes de dormir. Já morei sozinho. Já ganhei bastante dinheiro trabalhando e perdi por não saber administrá-lo. Já viajei para: Candeias, Praia do Forte, Embaçai, Jauá e Ilha de Itaparica/BA.; Formiga, Pouso Alegre/MG.; Curitiba/PR.; Rio de Janeiro/RJ.; Atibaia, Artur Nogueira, Aguaí, Arcadas, Amparo, Araras, Americana, Barueri, Bragança Paulista, Bom Jesus dos Perdões, Boraceia, Bertioga, Campinas, Caraguatatuba, Campos do Jordão, Cosmópolis, Cordeirópolis, Capivari, Conchal, Cabreúva, Charqueada, Casa Branca, Cubatão, Embu “das Artes”, Engenheiro Coelho, Guarulhos, Guarujá, Holambra, Hortolândia, Itu, Indaiatuba, Ipeúna, Itanhaém, Itapecerica da Serra, Jundiaí, Jaguariúna, Jarinú, Limeira, Leme, Monte Mor, Mogi Guaçú, Mairiporã, Mococa, Mongaguá, Maresias, Nova Odessa, Piracicaba, Paulínia, Porto Ferreira, Pirassununga, Piracaia, Praia Grande, Rio Claro, Ribeirão Preto, São Paulo, Santos, Sumaré, Santa Bárbara d’Oeste, Santa Gertrudes, Santo André, São Bernardo, São Vicente, Salto, São Carlos e Vinhedo/SP. Já passei dificuldades financeiras. Já ajudei pessoas e fui ajudado também. Já morei em casa e em apartamento, e aguardo um dia ir morar no Céu. Já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim alheio para presentear alguém especial. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um “para sempre” pela metade. Já assisti ao parto de minha Amorequinha. Já troquei fralda e dei de mamar entre outras atribuições de pai. Já quis ser mais velho e hoje quero ser mais novo; no fundo no fundo gosto de ser como sou “mais novo e mais velho”. Já deitei na laje de madrugada e vi a lua virar sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir. Já casei de novo (com uma mulher maravilhosa), mas é como se eu tivesse casado pela primeira vez: agora é de verdade e até que a morte nos separe. Já dei aula de Empreendedorismo e várias Palestras por aí afora. Já aceitei JESUS como meu Salvador. Já pensei que DEUS estava me castigando pelos meus erros, mas, descobri que não era castigo, e, sim, aprendizado! Já fiz parte da liderança de Jovens da igreja. Já fiz parte do Ministério de Louvor. Já fiz Evangelismo e continuo falando do Amor de JESUS até hoje. Já pequei muitas vezes, porém, encontrei perdão nos braços Daquele que deu Sua vida para me salvar do sofrimento eterno. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, encosta-me na parede e grita: “Qual é a sua experiência?”. Essa pergunta ecoa no meu cérebro: Experiência... experiência... experiência... Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora, gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem? Se a todo momento tudo se renova?


Flávio Barbosa dos Santos

Paródia

Santos-SP. – 21/02/2006

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